06 dezembro 2011

Sócrates x Corinthians

Sócrates morreu de cirrose no sábado e domingo o Corinthians foi campeão brasileiro com um time de segunda linha, como de resto são os outros times do campeonato brasileiro.
Lamento o sofrimento de Sócrates com a doença, lamento o sofrimento de qualquer pessoa, aliás.
Vi o início da carreira do doutor, lembro dele no Botafogo e jogando futebol de salão pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.
No Corinthians foi o artífice da Democracia Corinthiana, termo cunhado pelo publicitário Washington Olivetto para o modelo de auto-gestão criado pelo doutor. Os "democratas" mais ativos, além do doutor, eram Vladimir, Zenom e Casagrande. O técnico era Mário Travaglini, que escalava o time em consenso com os jogadores. As contratações eram feitas somente com aval do grupo. Em 1982, a diretoria queria contratar o goleiro Leão, esse que é técnico do São Paulo atualmente, que apesar de grande goleiro sempre foi conhecido como encrenqueiro e de caráter duvidoso. Ele foi chamado para uma conversa com os quatro e disse que se enquadraria no esquema democrático, mas tão logo foi contratado, aliou-se a Vicente Mateus, que naquele momento fazia oposição, e passou a fazer campanha contra a "Democracia Corinthiana".
O diretor de futebol era o sociólogo da USP Adilson Monteiro Alves, que participou até das campanha das diretas e atualmente é dono de máquinas de jogo de azar, é incrível, mas é verdade. Esta foi uma grande decepção para todos os corinthianos.
Sócrates era um jogador fora de série em qualquer contexto do futebol, não se submetia a ninguém, fazia gols e vibrava pouco, pois sabia que o futebol era usado pelos militares da ditadura para iludir as pessoas com ideias ufanistas que ainda perduram. Era um jogador maldito, mas todos o queriam pela genialidade do seu futebol.
E por falar em maldito: ele não sabe, mas eu sei que sou primo do Afonsinho, ainda que em segundo grau. Ele foi um dos maiores jogadores da história do Botafogo do Rio, coincidentemente também é médico. Foi do XV de Novembro de Jaú para o Botafogo. Foi amigo de Sócrates. Não esteve nas copas de 70 e 74 porque o general Médici escalava as seleções, ou dava palpites, e Afonsinho, apesar de craque, não tinha o perfil exigido na época, ele moveu um processo trabalhista contra o Botafogo e ganhou direito de não mais ser escravo do clube, ninguém quer um contestador num time de futebol. Mais tarde, foi contratado pelo Santos para substituir Pelé.
Apesar do time pífio continuo corinthiano, apesar de toda a safadeza dos diretores dos clubes e da CBF, continuo gostando de futebol. Eu era sócio do Corinthians e até minha primeira namorada, em 1969, arrumei no clube.
Da década de 1960 até hoje vi todos os grande jogadores brasileiros e afirmo sem medo de errar que nunca tivemos uma seleção tão ruim e uma geração tão pobre de talentos. Acho que por isto são evangélicos, como não jogam nada, ficam à espera de milagres que jamais acontecem. Que saudade de Gérson, Almir "O Pernambuquinho", Mário Sérgio "O Rei do Gatilho", fora com os bonzinhos e caretas que não jogam nada.
No jogo final contra o Palmeiras, os zagueiros dos dois times, mesmo quando o adversário mais próximo estava havia mais de 20 metros de distância metiam o pé na bola sem dó e a mandavam para fora, por medo de matar a bola de canela, talvez. E pensar que vi Djalma Santos com a camisa do Palmeiras, Roberto Dias com a do São Paulo, só para citar alguns zagueiros craques.

Corinthians Campeão Brasileiro de 2011, é o que importa.

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