15 maio 2011

Ler...

Leio.
Reli recentemente O Tao da Física de Fritjof Capra que traça paralelo entre as idéias budistas e a Física Quântica, principalmente o Princípio da Incerteza de Heisenberg. Li este livro pela primeira vez quando tinha 23 anos e tive a honra de conhecer e frequentar a casa do professor Mário Schenberg, em 1977, ele me indicou o livro. Fui à casa dele convidá-lo a proferir uma palestra em Botucatu, num encontro estudantil sobre ciências da saúde, que na realidade era uma reação de intelectuais atingidos pelo AI-5 à ditadura militar, o que ele aceitou de pronto. Mário Schenberg foi afastado de seu cargo de professor de Física da USP, com a edição do Ato Institucional No. 5, pois era militante do Partido Comunista Brasileiro pelo qual se elegeu deputado federal constituinte em 1946. Mário foi considerado por Einstein como sendo o físico mais brilhante e a mente mais privilegiada de sua geração. Ele morava numa casa ampla no fim da Avenida Doutor Arnaldo, em São Paulo, repleta de obras de arte que ganhava de artistas plásticos, praticamente todas as paredes da casa eram tomadas por quadros, no teto de todas as salas havia muitos quadros pendurados, ele era também crítico de arte. Ele me disse que o conhecimento intuitivo é tão importante quanto o conhecimento científico, acreditava que um pajé era tão importante e eficiente no que fazia quanto um cientista, por isso indicou este livro que faz essa ponte entre ciência e intuição.
Reli também Universo Elegante do astrofísico Brian Greene, sobre a teoria das supercordas. Ele explica também que não há conflito entre a Teoria da Relatividade Geral de Einstein e a Mecânica Quântica, porque a primeira deve ser empregada para explicar "grandes coisas" e a segunda explica "pequenas coisas". Quem se interessa por Física, procure os livros de Greene e Capra, além dos livros de Stephen Hawking.
Meu livro de cabeceira é Aprendendo a Viver do filósofo romano Sêneca, que educou Nero e depois foi por este condenado à morte.
Atualmente estou lendo Ciência Contemplativa de B. Alan Walace, o sub-título já indica o conteúdo: Onde o Budismo e a Neurociência se Encontram. Fragmentos de um Discurso Amoroso de Roland Barthes, O Pensamento Selvagem de Claude Levi-Strauss e um único livro de ficção: As Irmãs Makioka de Jun'Ichiro Tanizaki. Leio um pouco de cada livro e depois o cérebro que dê jeito de separar e organizar as informações.
Na semana passada saí da caverna e fui ao lançamento de um livro de contos, num bar daqui de Caxias do Sul. O escritor se chama Uili Bergamin, ele é tão bom que tem até nome de escritor. Não estou acostumado a esse tipo de evento, mas fui. Ali estava o autor, gravata e colete, simpático e sorridente, distribuía abraços, beijos, e se postava ao lado das pessoas para fotos. Parecia bem comportado como um bancário. Comprei um livro Contos de Amores Vãos, ele autografou. Sábado resolvi ler o livro. Esperava algo como... , nem sei bem o quê, mas muito menos do que é realmente o livro. Acho que esperava algo melado, aí que o livro me pegou. O texto vai dando ligeiras agulhadas no leitor, que quando percebe está todo cheio de hematomas pelo corpo. Eu que escrevo distribuindo porradas, não tinha defesa para escrita tão aguda e ferina como a de Uili Bergamin. A sutileza da escrita de Uili me deixou perplexo, não só da escrita como dele próprio: todos aqueles sorrisos, cara de bonzinho, mas o que ele escreve corrói até o metal mais duro. Acho que a aparência dele era blefe. Pura malandragem refinada. Li o livro e imediatamente o reli, são apenas cento e poucas páginas, fiquei com aquela sensação da pessoa que é roubada sem sentir e ainda sorri ingenuamente ao ladrão que lhe diz 'tenha um bom dia'. Agora estou curioso para ler os outros livros dele. É um nome a ser guardado. Um jovem escritor a ser lido sem medo de se decepcionar.

15/05/2011

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